“"Essa foi uma época em que toda a Inglaterra trabalhou e se esforçou até o limite máximo e esteve mais unida do que nunca. Homens e mulheres esfalfavam-se nos tornos e máquinas das fábricas até caírem no chão, exaustos, e terem de ser arrastados para longe e mandados para casa, enquanto seus lugares eram ocupados por outros que já haviam chegado antes da hora... o sentimento de medo parecia ausente do povo, e seus representantes no parlamento não ficaram aquém deste estado de ânimo... muitíssima gente se mostrava decidida a vencer ou morrer".
O relato acima foi feito pelo primeiro-ministro britânico Winston Churchill, logo após o término da Segunda Guerra Mundial. Com profunda gratidão pela bravura do povo inglês, num período em que a Inglaterra encontrava-se solitária na resistência ao nazismo, o grande estadista inglês lembra-se daqueles dias em que sua pátria foi salva pelo suor, união e coragem do seu próprio povo. Não resta dúvida de que o nosso estado carece de uma mobilização desta natureza por parte da sociedade civil. A pergunta, contudo, que se nos apresenta é: o que houve com o povo do Rio de Janeiro? Por um lado há a perplexidade com a patologia social que enfrentamos. Nunca tantos foram mortos sem clemência. Nunca tantos mataram sem remorso. Mas o mal sociológico que enfrentamos não é apenas caracterizado pela prática ativa do crime, ele está presente também nos olhos secos dos que contemplam a dor de milhares de famílias e nos braços cruzados dos que são meros espectadores da calamidade que nos cerca.Quando ando pelas ruas da nossa cidade, fico pensando no que pode ser feito para tirar o cidadão carioca da apatia em que se encontra. O que fazer para que ele passe a sentir? Ou canalizar o sentimento que existe para algo concreto e que transforme? Como conscientizá-lo do poder que tem de mudar a história desta cidade a massa que lota a Sapucaí, o Maracanã e a praia de Copacabana?Muito embora saiba que não está no homem o poder de transformar os sentimentos de uma pessoa, entendo que ninguém é mudado no campo das emoções enquanto não for mudado no campo da razão. A verdade liberta. Por isso, gostaria de levar os cidadãos da nossa cidade a considerarem os seguintes fatos:
Povos do passado, unidos, venceram conflitos mais graves do que os nossos. Nós cariocas estamos diante da possibilidade de fazer correr pelo mundo inteiro a notícia de que a batalha contra o crime na nossa cidade, foi vencida por um povo que não se reúne apenas para sambar, mas para lutar pela justiça e paz também.
Antônio Carlos Costa
Presidente do Rio de Paz