Continuando o encontro semanal "Uma hora pela vida", promovido pelo movimento Rio de Paz, na última segunda, na Praia de Copacabana, a antropóloga Ana Paula Miranda, presidente do Instituto de Segurança Pública (ISP), realizou um dos debates mais calorosos da série, por contar com as presenças de Tico Santa Cruz (do movimento Voluntários da Pátria), de Rubem César Fernandes (do Viva Rio) e da professora Elizabeth Sussekind.
Talvez por causa disso, a palestra não foi só sobre as estatísticas, mas os participantes falaram de assuntos como desarmamento, liberação da maconha, impunidade, Código Penal, etc. O público presente participou bastante, fazendo muitas perguntas e, em alguns casos, desabafando, como a mãe da professora Clarisse Alves Mesquita, que foi vítima de uma bala quando estava numa festa de casamento em um prédio na Tijuca.
Sobre as estatísticas, Ana Paula disse que tem um trabalho insano lendo todas as ocorrências para fazer estatísticas cada vez mais próximas da realidade, e ressaltou que alguns crimes são mais sub notificados que outros. A novidade foi a diminuição do número de mortes por armas de fogo e o aumento do número de mortes por outra arma: os carros.
Mas a antropóloga falou mais sobre os Conselhos Comunitários de Segurança, ressaltando que alguns deles funcionam muito bem - uma boa notícia - e que outros não funcionam. A tendência é que funcionem melhor nas áreas onde os moradores são mais organizados e atuantes. Ela citou o caso da Ilha do Governador como um bom exemplo. Durante o evento foi distribuído um "Guia Prático para participantes dos Conselhos Comunitários de Segurança". Se mais pessoas tivessem acesso a ele e o seguissem, provavelmente teríamos mais Conselhos funcionando bem.
Ela disse também que o site do ISP passará por uma reformulação e ficará mais interativo e que este Governo teria um projeto de longo prazo para a Segurança. Vamos esperar e cobrar.
Texto: Gustavo Pereira