O Marco da Violência tem esse objetivo: despertar
a consciência, manter a sociedade informada, mobilizar
a população, chamar a atenção do
poder público e sinalizar esperança. Sim, pois
esperamos que esse marco sinalizará a chegada de um dia
- o dia em que a vida terá vencido a morte no Rio de
Janeiro. Esperamos poder celebrar numa grande festa em Copacabana
essa grande e urgente conquista social. Sabemos que poucas pessoas
têm esperança de que isso possa acontecer. Devemos
afirmar, no entanto, que se outros povos conseguiram superar
conflitos sociais tão ou mais graves do que os nossos,
nós também podemos sobrepujar esse imenso desafio.
É possível
transformar a violência letal na próxima década
Numa democracia a transparência é a regra, o segredo
a exceção. Informar à sociedade os números
relativos às mortes violentas registrados no Estado do
Rio de Janeiro representa uma forma de auxiliar a população
a formar sua visão crítica sobre o êxito,
ou não, das políticas de segurana voltadas à
redução dos assassinatos em nosso território.
O total de mortes violentas nos últimos dez anos no
Estado do Rio de Janeiro alcançou a assustadora cifra
de 81.268 assassinatos, estando aqui incluídas mortes
que são classificadas de diferentes formas pela polícia
civil, a saber, homicídio doloso, latrocínio,
homicídio proveniente de auto de resistência, encontro
de cadáver e encontro de ossada. A taxa média
anual do período analisado é 52,4 por 100.000
habitantes, o que representa cinco vezes mais do que a taxa
considerada pela ONU como aceitável em grandes centros
urbanos, que é 10 por 100.000 habitantes.
O cenário é agravado com o desaparecimento de
42.964 pessoas, que representa um grave problema para o poder
público, que não tem dado a devida atenção
à gravidade numérica e emocional do fenômeno.
Sabe-se que muitas dessas pessoas foram assassinadas.
Saudamos algumas das recentes vitórias obtidas pelo
governo do estado na área da segurança pública.
Comunidades pobres que encontravam-se sob o domínio territorial
armado de grupos criminosos tornaram-se livres. Uma meta de
redução de 11% para o crime de homicídio
doloso foi estabelecida. Torcemos para que ela seja alcançada.
A projeção para o ano de 2009, contudo, não
é nada animadora. Em se mantendo a situação
atual atingiremos o total de 8.480 mortes violentas, 4.835 tentativas
de homicídio e 5.426 pessoas desaparecidas, que representará
o pior número de toda a história do Rio de Janeiro.
Se há quarenta anos o homem chegou à lua, hoje
o maior temor do cidadão do Rio de Janeiro é não
conseguir chegar a sua casa. E nós não nos conformamos
que na próxima década ainda tenhamos que chorar
por mais 80.000 mortes. Por isso acreditamos que a mobilização
da população de todo o Rio de Janeiro pode ajudar
a reverter esse triste cenário.